Cabos de interligação ZenSati Razzmatazz

Fernando Marques
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ZenSati Razzmatazz


A menos que optemos por tecnologia sem fios, os cabos — sejam de interligação ou de colunas — são indispensáveis para que a música “toque”. Ao mesmo tempo, qualquer pergunta ou opinião sobre cabos em fóruns públicos acaba, quase inevitavelmente, numa carnificina sangrenta e em mais uma guerra santa, durante a qual nenhum dos lados faz prisioneiros.



Os Razzmatazz abrem o portefólio da marca dinamarquesa criada por Mark Johansen. A cor prateada é utilizada tanto no corpo dos conectores como na malha visível sob a capa protectora exterior transparente. O diâmetro do interconector em causa pode ser considerado perfeitamente padrão, tal como a sua flexibilidade.


ZenSati Razzmatazz


As informações sobre a construção interna destes cabos são escassas. Há apenas uma breve referência à construção inovadora com condutores de cobre puro, torcidos pela própria empresa com máquinas de elevada precisão e tolerâncias muito rigorosas, e à indicação de que o conjunto está “envolto numa camada de seda artificial que imita as propriedades dielétricas do ar com notável precisão”, o que encerra o assunto.


Os Razzmatazz apostam numa neutralidade tão elevada quanto possível. Não só não enfatizam os elementos musicais que habitualmente chamam a atenção, como, ao colocarem-se discretamente em segundo plano, praticamente eliminam a sua participação “audível” no processo de reprodução. Esta retirada é, aliás, uma consequência directa de duas características intrínsecas das ligas utilizadas pela marca: a construção do primeiro plano ao nível das colunas — ou mesmo atrás destas — e a profundidade extremamente sugestiva do palco sonoro. Como resultado, ouvintes habituados a uma apresentação mais próxima e tangível podem, numa primeira abordagem, sentir-se convidados a mudar para filas mais recuadas.


ZenSati Razzmatazz

A reprodução sonora passa para um modo claramente mais “público” de execução, acompanhada por uma linearidade exemplar, quase (no sentido convencional) de estúdio, em que a distância entre o artista e o público é medida em metros e não em centímetros.


Álbuns como PetroDragonic Apocalypse, dos australianos King Gizzard & the Lizard Wizard, soam mais verdadeiros. Quanto a essa verdade, basta ouvir o tema “Supercell” para perceber, com os próprios ouvidos, que o distanciamento anteriormente referido deve ser levado a sério: os Razzmatazz não limitam a dinâmica avassaladora, nem a brutalidade dos riffs de guitarra e bateria, nem as partes vocais. Toda a textura dos instrumentos é preservada com resolução suficiente para permitir penetrar na estrutura e no tecido das gravações.


Este trabalho tornou-se igualmente evidente na audição de El Bueno y El Malo, dos equatoriano-suíços Hermanos Gutiérrez, um álbum por vezes etéreo e tranquilizante, fácil de ouvir, mas desafiante na sua interacção entre guitarras. Produzido por Dan Auerbach (guitarra eléctrica) e gravado em Nashville, Tennessee, revela-se um excelente teste.


ZenSati Razzmatazz


Enquanto as guitarras fazem o seu trabalho em “Los Chicos Tristes”, as cordas de Matt Combs elevam esta melodia simples a uma inspiração de cariz clássico. Sam Bacco acrescenta triângulo e congas para enquadrar o trabalho de guitarra dedilhada de Estevan (guitarra eléctrica nesta faixa) e de Alejandro (guitarra eléctrica e guitarra slide). Música belissimamente interpretada — perfeita para cinema ou para desfrutar numa tarde melancólica e chuvosa de inverno.


Podemos ler no site da ZenSati que: "A infância de Mark Johansen foi marcada por um ambiente musical dinâmico, o que o levou a dominar o piano, a flauta e a guitarra. Além do interesse pela música em si, desde os 9 anos de idade Mark Johansen explorou a tecnologia de áudio como passatempo, ao lado do pai, que foi o seu mentor.





Ao longo de vários anos como audiófilo, Mark Johansen apercebeu-se de que as qualidades essenciais, naturais e realistas da música eram frequentemente perdidas durante a reprodução, em grande parte devido ao desrespeito evidente das regras fundamentais da música por parte dos fabricantes de cabos. A espinha dorsal, mesmo dos melhores sistemas de áudio, não era assegurada pelos cabos disponíveis no mercado."


Hoje, Mark Johansen desenvolve a sua própria gama de cabos rápidos e neutros, sem qualquer assinatura sonora própria. Concordamos que esta é uma característica essencial para qualquer audiófilo exigente, que poderá encontrar nos cabos ZenSati aquilo que procura há muito tempo ou mesmo algo que nem sabia que precisava para melhorar o seu sistema de alta-fidelidade.


Cabos de interligação ZenSati Razzmatazz RCA 1 metro: 1250 euros | disponível em Exaudio


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