Lançada originalmente em 1979, a Concorde da Ortofon tornou-se um ícone no mundo do vinil graças ao seu design integrado e facilidade de utilização. A nova gama Concorde Music — em particular a versão Bronze — recupera esse legado com melhorias técnicas relevantes e uma prestação sonora que combina detalhe, musicalidade e praticidade.
Um clássico nascido na era do Concorde
No final da década de 1970 surgiu um produto intrigante no universo do vinil: a célula Concorde da Ortofon. Lançada em 1979, partilhava o nome com o famoso avião supersónico anglo-francês e apresentava um design inspirado na sua secção frontal. O elegante formato integrado valeu-lhe um prémio dinamarquês de design industrial.
A geometria predefinida para braços SME padrão (tipo 3009) permitia que utilizadores de gira-discos com headshell destacável — sobretudo modelos Technics como o então novo SL-1200MK2 — pudessem simplesmente ligar e usar a Concorde com excelentes resultados.
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| Ortofon Concorde Music Bronze |
Filosofia de massa ultrabaixa
As primeiras Concorde surgiram em simultâneo com a série LM de células de íman móvel da Ortofon, ambas baseadas na filosofia de “massa ultrabaixa”. Cada Concorde tinha apenas 6,5 g de massa efetiva, favorecendo o rastreamento em braços concebidos para cápsulas de maior conformidade.
Hoje, essa abordagem de baixa massa mantém-se viva na linha OM da marca, sucessora direta da série LM.
O regresso em 2025 com melhorias importantes
A Concorde original foi um grande sucesso, oferecendo uma solução elegante de “ligar e usar” e fácil atualização graças às agulhas intercambiáveis. A gama inicial incluía três modelos — 10, 20 e 30 — com diamantes elíptico, elíptico nu e fine line, respetivamente.
Em 2025, a nova série Concorde Music preserva esses pontos fortes e introduz melhorias relevantes herdadas da evolução do Concorde MKII da linha DJ, entre as quais se destacam um anel de massa adicional, painéis superior e inferior revistos, uma montagem da agulha mais robusta e elevadores de dedo substituíveis.
No interior, o sistema gerador é único na gama Hi-Fi da Ortofon por derivar do design DJ, produzindo uns invulgarmente elevados 6 mV. O resultado é maior compatibilidade com pré-amplificadores de íman móvel e um nível de ruído ligeiramente inferior.
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| Ortofon Concorde Music Bronze |
A Concorde Music Bronze em detalhe
A versão Bronze — terceira mais alta da gama, abaixo da Black e da Black 250 LVB — utiliza uma agulha Nude Fine Line montada num cantilever de alumínio. Este perfil, mais estreito e longo do que o elíptico padrão, promete um rastreamento mais fiel do sulco.
O conjunto recorre ainda a um composto de borracha especialmente desenvolvido para a suspensão. A força de apoio recomendada é de 1,8 g, sendo que todas as versões da nova célula são mecanicamente idênticas, diferenciando-se apenas pela agulha.
Instalação simples e utilização prática
A principal virtude da Concorde continua tão relevante hoje como quando os Bee Gees dominavam as tabelas. A construção de peça única permite uma instalação extremamente simples em braços em S com headshell tipo SME: basta remover o headshell antigo, encaixar a Ortofon, apertar a pinça de bloqueio e, por fim, equilibrar o braço.
Ao contrário da original (6,5 g), a Concorde Music pesa 18 g, facilitando o equilíbrio em braços modernos. O manuseamento é igualmente intuitivo, permitindo posicionar a agulha no disco com grande precisão. A carga recomendada situa-se entre 150 e 300 pF a 47 kΩ.
Assinatura sonora: suave mas envolvente
Como é habitual nas células de íman móvel da Ortofon, o som é suave, musical e delicadamente detalhado. À medida que se sobe na gama, a reprodução torna-se mais rápida, perspicaz e dinâmica graças a perfis de agulha mais avançados.
Na Concorde Music Bronze, o resultado é um som polido mas altamente envolvente, com excelente leitura da gravação, bom impulso rítmico e apenas um leve brilho nos registos mais altos.
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| Ortofon Concorde Music Bronze |
Teste de audição: Arcade Fire
Instalada no residente Technics SL-1500C, ao reproduzir o LP The Suburbs dos Arcade Fire, destacou-se imediatamente a forte imagem estéreo. A agulha Nude Fine Line penetra profundamente no sulco, mantendo estabilidade exemplar.
Na faixa-título, a voz — por vezes algo frágil noutras células — surge suave e expressiva, rodeada de abundante informação. Os teclados ganham corpo, o baixo mantém firmeza e a bateria surge com fluidez no plano de fundo.
Em “Ready to Start”, a Concorde evidencia rapidez e segurança de rastreamento, mesmo a níveis de volume elevados.
Teste de audição: Lágrimas Negras
Lágrimas Negras (2003), de Bebo Valdés e Diego el Cigala, revela a extraordinária química entre os dois músicos. No tema homónimo, o piano intricado de Valdés é acompanhado por baixo e percussões, enquanto Cigala alterna entre momentos delicados e explosões vocais intensas mas controladas.
A Concorde Music Bronze apresenta esta interpretação de forma envolvente e refinada, com rastreamento seguro e baixa distorção, resultando numa audição claramente sofisticada.
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| Ortofon Concorde Music Bronze |
Veredicto
A nova Concorde Music oferece o som elegante, suave e detalhado típico da Ortofon num formato acessível e extremamente fácil de usar. Importa notar que a própria marca esclarece que a agulha Nude elíptica se destina à audição — não a back-cueing ou scratching de DJ.
Graças às agulhas intercambiáveis, é possível começar com um modelo mais económico e evoluir posteriormente para versões superiores. Como ponto de entrada na gama, a Bronze faz pleno sentido: é a partir daqui que ouvir vinil se torna verdadeiramente gratificante. Disponível em OnOff, por 395 euros.




