Denon Home 600: som hi-fi numa só coluna

António Eduardo Marques
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Denon Home 600

O tom do press-release oficial da marca não deixa dúvidas: a Denon Home 600 é um produto claramente lifestyle. Resta saber se, sendo assim, o que obtemos em troca é um som realmente hi-fi que não deixa créditos por mãos alheias.


Vamos começar pelo que poderá não ser o mais óbvio: esta não é uma "coluna Bluetooth". Ou seja, a Denon Home 600 tem conectividade Bluetooth, mas foi sobretudo concebida para ser ligada à rede doméstica via Wi-Fi (com suporte para Wi-Fi 6 na banda dos 6 GHz), e controlada através da app HEOS.


De resto, tanto esta como as restantes colunas da série Home hoje anunciadas pela Denon (200 e 400) foram criadas com o mesmo espírito e oferecem opções de conectividade semelhantes. Nenhuma delas é autónoma (todas precisam de ser ligadas à tomada) e em todas elas a ligação Bluetooth está presente, mas nem sequer oferece codecs avançados e suporte para alta resolução e/ou baixa latência.


Ainda no capítulo da conectividade, existe a possibilidade de ligação via rede Ethernet utilizando um adaptador USB-C > RJ45 genérico (não é necessário qualquer adaptador proprietário), o que pode ser interessante para quem queira ou possa colocar a coluna perto do router e, dessa forma, desfrutar de uma ligação mais estável.

Grande e pesada



Denon Home 600
Os oito altifalantes da Denon Home 600


No mundo da alta-fidelidade, os equipamentos não se medem ao peso... mas há uma tendência para ligarmos a qualidade a essa característica. Além da caixa em si, transformadores substanciais e altifalantes bem construídos são tudo elementos com impacto no resultado final cujo peso é, muitas vezes (embora, admitidamente, nem sempre) proporcional aos bons resultados sonoros.


No caso da Denon Home 600, a balança marca 8 kg, justificados pela construção multicanal e a presença de nada menos do que oito altifalantes: dois tweeters de 19mm, quatro unidades de médios de 66mm (duas voltadas para a frente e outras duas para cima), e dois woofers de 165mm em configuração force-cancelling 
oposta. Tudo isto, com eletrónica que oferece outros tantos canais de amplificação Classe D, que a Denon diz disponibilizarem um total de 170 watts.


Esta configuração significa que a coluna é, efetivamente, estéreo, muito embora possa ser também emparelhada com uma segunda unidade para um palco sonoro mais amplo (mas já lá iremos), numa configuração em que cada coluna fica "responsável" por um dos canais principais. Além disso, suporta streaming de áudio de alta resolução via TIDAL Connect e Qobuz Connect (usei Qobuz nos testes que realizei) bem como Amazon Music, serviço para já não disponível em Portugal. O popular serviço Spotify é igualmente suportado, embora (pelo menos para já) não com a funcionalidade Connect
Os altifalantes voltados para cima ajudam também na reprodução de música codificada com Dolby Atmos.


Primeiras impressões


A primeira impressão que temos ao pegar na Denon Home 600 é, realmente, o facto de ser uma coluna substancial e com uma excelente qualidade de construção aparente. Uma vez realizada a configuração inicial através da app HEOS (que, não sendo das minhas apps preferidas em termos de facilidade de utilização, reconheço que funciona bem), chegamos à parte que interessa: a audição.


E, aqui, as primeiras impressões foram claramente positivas. O melhor que posso dizer sobre esta coluna é que... não parece uma coluna portátil. Eu sei que as expetativas, até pelo seu elevado preço, eram bem mais elevadas do que no caso de uma simples "coluna Bluetooth", mas confesso que não esperava um som tão bom.


Uma das coisas que me chamou de imediato a atenção foi o facto de a resposta de graves surgir como grande naturalidade. Quero eu com isto dizer, que são graves que esperaria de umas colunas estéreo discretas e com uma resposta de frequência alargada. Estava à espera de uma resposta de graves substancial, mas de alguma forma, processada


Note-se que, como é evidente, a Denon Home 600 possui processamento DSP – como de resto qualquer coluna deste tipo – mas o que importa realçar é que esse processamento não é aparente. Os graves estão lá sobretudo em resultado do cuidado posto no projeto, desde a caixa à amplificação, passando pela escolha do tipo, características e posicionamento dos altifalantes.


Clássicos e modernos

Qobuz e HEOS


Um dos meus discos preferidos, e que uso também frequentemente para testar equipamentos de hi-fi, é Love Scenes, de Diana Krall. Peel Me A Grape (disponível via Qobuz em alta resolução) é um tema que gosto muito de usar para confirmar a resposta e extensão dos graves, porque usa apenas três instrumentos (contrabaixo, guitarra e piano) e a voz da cantora canadiana.


É um tema que permite separar rapidamente o trigo do joio. O contrabaixo precisa de extensão nos graves mas, ao mesmo tempo, precisa de "respirar". E nem todas as colunas – e aqui refiro-me a colunas estéreo normais! – dão conta do recado. Que a Home 600 tenha conseguido resultados excelentes num tema tão exigente, dá bem a ideia daquilo que a Denon foi capaz de criar.


Outro teste interessante para colunas deste género são os concertos ao vivo. Show Me The Way, do lendário álbum Frampton Comes Alive! é outro teste difícil de ultrapassar por colunas deste tipo. E, uma vez mais, a Denon Home 600 entrega uma reprodução impressionante, incluindo a atmosfera da sala de concerto (melhor dizendo das salas, uma vez que o concerto foi gravado em várias, entre São Francisco e Nova Iorque, na digressão que Frampton fez em 1975 nos EUA) e o ambiente e reação do público.


Este é um dos casos em que testei as (poucas) funcionalidades de equalização da app HEOS, nomeadamente a possibilidade de alargar o palco em altura e largura. Há uma escala de +/- 5 da qual convém não abusar, mas colocar +1 em largura e altura em qualquer das faixas do espetáculo de Frampton providencia resultados quase mágicos.


Só para não 
deixar pedra sobre pedra, resolvi ainda tentar ver até onde é que a resposta de frequência da Home 600 conseguia ir, escolhendo o tema NUEVAYoL do mais recente álbum de Bad Bunny, DeBí TiRAR MáS FOToS. Não estava à espera de milagres, mas as Denon voltaram a trocar-me as voltas! O ritmo Reggaeton do tema surge em toda a sua pujança, sem qualquer distorção e impedindo qualquer pessoa normal – sim, mesmo as que não gostam deste tipo de música! – de manter o pé quieto no chão.


Prós e contras

Sobre os prós, remeto-vos para o texto que acabaram de ler. Já deu para perceber que gostei, e muito, desta coluna. Consigo vê-la como primeiro sistema numa sala de alguém que valoriza a estética tanto quanto a capacidade de reprodução e não está disposto(a) a gastar milhares de euros num sistema de hi-fi completo e tradicional.

Mas também não ficará mal como sistema secundário no escritório ou quarto do mais empedernido dos audiófilos!

Dito isto, consigo encontrar espaço para melhorias. O primeiro ponto é a conectividade. Percebo a lógica da Denon, em basicamente forçar a ligação via Wi-Fi em prol da melhor qualidade de reprodução, mas confesso que gostaria de ver aqui a implementação de codecs de melhor qualidade que permitisse a sua utilização via Bluetooth sem grandes perdas.


C
onsigo também ver esta coluna numa sala, por baixo de um televisor montado na parede. E, por isso, uma entrada digital ótica não teria sido má ideia (até porque a eletrónica inclui um DAC); apesar de tudo, o facto de existir uma entrada auxiliar via mini-jack permite salvar a face.


Nos "contras", resta-me apontar o preço. São 700€ de coluna com 1€ de troco. É muito dinheiro e, por esse preço, podemos encontrar outras opções, por exemplo em colunas estéreo ativas, que oferecem mais flexibilidade e, potencialmente, melhor som.

Contudo, não oferecem esta conjugação ímpar entre estética e qualidade de reprodução. Neste aspeto, não creio que as Denon Home 600 tenham grande concorrência. E isso paga-se, claro.


Denon Home 600
Distribuição: Smartaudio
PVP: 699€


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