Num mundo onde o streaming domina a audição musical, o ruído digital continua a ser um dos maiores inimigos do som de alta-fidelidade. A EAhibrid acredita ter encontrado a solução: o Integrated Cyber Filter, um filtro de isolamento de rede que promete transformar sinais digitais “frios” numa experiência sonora mais orgânica, próxima do vinil e da fita analógica.
O problema do streaming: ruído invisível, impacto audível
Ao contrário das fontes de áudio tradicionais, a Internet é um sistema aberto e partilhado. Os serviços de streaming utilizam servidores comuns a milhares de utilizadores, gerando interferências elétricas e ruído de alta frequência. Esse ruído propaga-se pelos cabos Ethernet e USB até ao sistema de áudio, reduzindo a sensação de presença, naturalidade e dinâmica da música. A consequência é conhecida de muitos audiófilos: fundos cinzentos, textura artificial e uma apresentação sonora menos envolvente.
Da frustração à inovação: isolamento e filtragem
A EAhibrid testou múltiplas soluções existentes no mercado — incluindo switches e routers de nível audiófilo — mas nenhuma conseguiu reproduzir streaming com a fluidez e a “textura analógica” desejadas.
Perante esse cenário, a marca avançou para um desenvolvimento próprio, assente em dois princípios fundamentais: o isolamento elétrico completo do sinal e uma filtragem profunda e eficaz do ruído de alta frequência, com o objetivo de preservar a integridade da informação musical e melhorar de forma significativa a qualidade sonora do streaming.
Após inúmeras iterações de circuitos específicos para RJ45 e USB, combinadas com cabos desenhados internamente, nasceu o Integrated Cyber Filter.
Construção e design: engenharia com identidade
Esta análise foca-se na versão RJ45. O corpo principal é uma caixa de liga de alumínio, maquinada em CNC de 5 eixos e com acabamento anodizado, concebida para bloquear interferências eletromagnéticas externas.
Um detalhe distintivo é o painel em madeira maciça, assinatura estética da EAhibrid, que acrescenta um toque orgânico ao conjunto. O design remete assumidamente para o Tesla Cybertruck — inspiração assumida pela marca — com linhas angulares e uma presença industrial elegante. A direcionalidade é outro ponto sublinhado: o sinal flui da extremidade metálica para o painel de madeira, simbolizando a transição de um sinal digital cru para um som mais quente e musical.
O que está lá dentro: tecnologia AWR ao serviço do áudio
Embora os circuitos sejam selados para evitar cópias, a EAhibrid revelou um diagrama estrutural do produto. No centro está a tecnologia AWR – Advanced Waveform Restoration, adaptada de servidores industriais, onde é usada para reduzir distorção digital.
O processo inicia-se com a separação individual dos oito condutores Ethernet, permitindo um tratamento preciso de cada via do sinal. De seguida, o sinal é encaminhado através de quatro transformadores de isolamento miniatura, equipados com bobinas enroladas à mão em cobre monocristalino OCC, cuja função é eliminar interferências e distorção de alta frequência. Após esta etapa, entram em ação quatro filtros de modo comum, apoiados por indutores e condensadores de nível audiófilo, responsáveis por uma filtragem adicional e por um afinamento cuidadoso do som. Por fim, o sinal é reconstruído e transmitido novamente através dos oito canais RJ45. O resultado deste processo é um isolamento integral do ruído, acompanhado por uma melhoria clara da precisão temporal e da estabilidade global do sinal.
Cabos personalizados: a importância da sinergia
Inicialmente, o Cyber Filter era apenas uma caixa de filtragem. Contudo, após extensos testes, a EAhibrid concluiu que os cabos disponíveis no mercado limitavam o desempenho final. A solução foi desenvolver cabos próprios, ajustados às características sonoras do circuito. Existem duas versões disponíveis do produto: uma equipada com condutores em cobre monocristalino OCC 6N com secção de 22,5 AWG, e outra de gama superior que utiliza cobre monocristalino OCC 6N banhado a prata, com secção de 22 AWG.
Ambas utilizam múltiplas camadas de blindagem em folha de alumínio, estruturas de amortecimento de vibração e conectores Telegärtner MFP8 RJ45.
Na versão topo de gama, os conectores recebem ainda banho de ouro espesso, solda de prata audiófila e blindagem trançada OCC banhada a prata — até na malha externa.
Impressões de escuta: versão em cobre (EAL 1000)
Inserido entre um router Huawei EchoLife e um streamer Eversolo DMP-6 ME, o impacto foi imediato. A melhoria na relação sinal/ruído é dramática: o fundo torna-se verdadeiramente negro.
Em “The Köln Concert”, de Keith Jarret, o piano ganha corpo, foco e riqueza harmónica. A ressonância desenvolve-se no espaço de forma natural, com decaimentos longos e realistas, criando uma forte sensação de presença.
Já em “Jukebox”, de Cat Power, além do piano, a presença dos restantes músicos torna-se mais articulada, enquanto a voz de Chan Marshall surge grande, sólida e intimista, mas sem agressividade.
Carácter sonoro: quente, fluido, relaxado e muito musical.
Impressões de escuta: versão prateada (EAL 2000)
Se a música com o filtro EAL 1000 pode, por vezes soar tensa, a versão EAL 2000, banhada a prata expande o palco sonoro em largura e profundidade, com ainda mais silêncio de fundo.
O piano surge ligeiramente mais recuado, com ataques menos incisivos e decaimentos mais arejados. Toda a apresentação musical ganha brilho, elegância e refinamento.
Ao escutar “Be Thankful for What You Got”, do álbum Blue Lines dos Massive Attack , o grave é mais rápido e limpo, com maior definição rítmica.
Carácter sonoro: transparente, refinado e altamente resolutivo.
As melhorias proporcionadas pelos filtros EAhibrid vão muito além do áudio. Com a Apple TV ligada a um televisor Hisense H55U7B com painel LED, foi possível observar cores mais vivas, negros mais profundos e imagens com maior definição e contraste. Neste aspeto, não se detetaram diferenças entre os dois filtros testados, sendo a melhoria imediatamente perceptível mesmo com o modelo mais acessível, o EAL 1000.
Qual escolher?
Ambas as versões elevam claramente a experiência de streaming a um novo patamar. A versão em cobre (EAL 1000) é ideal para sistemas que beneficiem de maior densidade e calor na reprodução sonora, enquanto a versão prateada (EAL 2000) revela-se perfeita para quem procura máxima transparência e sofisticação no timbre e nos detalhes musicais. A escolha dependerá do sistema e do gosto pessoal.
Conclusão
Depois de extensos testes em diferentes sistemas, o veredicto é claro: o EAhibrid Integrated Cyber Filter é um dos acessórios mais eficazes e transformadores disponíveis para áudio (e video) em streaming.
A melhoria supera a de muitos cabos e switches de rede, oferecendo um salto qualitativo imediato, que pode ser equivalente ao upgrade de um componente no sistema.
Os preços dos EAhibrid Integrated Cyber Filter variam consoante a versão e o comprimento do cabo. Para a versão em cobre monocristalino (EAL 1000), o preço aproximado é de 1.100 € para 1,25 metros, 1.290 € para 1,75 metros e 1.560 € para 2,5 metros. Já a versão em cobre banhado a prata (EAL 2000) custa cerca de 1.790 € para 1,25 metros, 2.070 € para 1,75 metros e 2.440 € para 2,5 metros. Disponível em Audioware.






