The Funk Firm, a herdeira do espírito disruptivo da lendária Pink Triangle, tem um pacote de isolamento — Houdini, APM e Bo!ng — que pode ser aplicado a qualquer gira-discos, independentemente do preço, e que se traduz numa das melhorias mais audíveis que já ouvimos vindas de um simples upgrade.
Não é preciso trocar de gira-discos para ouvir uma diferença radical no som. É essa a promessa — cumprida — da Isolation Bubble, o novo sistema da The Funk Firm que isola os dois elementos mais próximos da célula, o componente mais importante de qualquer leitor de vinil. Testado sobre um Technics SL-1500 C já de si competente, o conjunto elevou de forma consistente a clareza, a dinâmica e a naturalidade da reprodução, ao ponto de parecer estar a ouvir-se um aparelho diferente.
A Isolation Bubble é composta por três elementos que podem ser adquiridos em conjunto ou separadamente. O Houdini (359 €) é um desacoplador de célula que se monta entre o suporte do braço e a célula, com opções roscadas e de passagem de parafuso compatíveis com praticamente todos os tipos de cápsulas do mercado. O APM (245 €), derivado do consagrado Achromat da marca, é a superfície onde os discos assentam, com 7 mm de espessura e uma camada de vidro na base que confere rigidez adicional. Por fim, os pés Bo!ng, a partir de 210 € por conjunto, isolam a base do gira-discos das vibrações externas, com opções que cobrem desde os modelos leves da Rega até aparelhos com mais de 25 kg.
Nos testes de audição, a diferença fez-se sentir logo na primeira faixa de Blue Light 'til Dawn, de Cassandra Wilson: maior sensação de ritmo e emoção, mais nuances e detalhe, e uma fluidez que convida a deixar de analisar e simplesmente ouvir. O mesmo se repetiu com Push the Sky Away, de Nick Cave & The Bad Seeds, e com a gravação master a meia velocidade de Scenery, do pianista japonês Ryu Fukui, onde as notas de piano ganharam mais articulação e realismo. Com o desacoplador instalado, tornou-se ainda evidente o quão boa é a célula MC X-20 da Ortofon, que só precisa da plataforma certa para revelar todo o seu potencial — um sinal de que o Houdini pode fazer soar melhor cápsulas mais económicas.
A marca por detrás desta inovação não é uma recém-chegada ao mercado. A The Funk Firm nasceu das cinzas da Pink Triangle, empresa que abalou a indústria do vinil ao longo dos anos 80 e 90 com abordagens então radicais — pratos de acrílico, motores de corrente contínua, rolamentos de safira invertidos — hoje comuns no setor. Por trás de ambas as marcas está Arthur Khoubesserian, físico, engenheiro e designer, cuja declaração de intenções sempre foi clara: tirar o máximo partido do minúsculo sulco que contém a informação musical.
O Isolation Bubble é o resultado de cerca de quinze anos de reflexão e mais de três anos de análise e modelação. Trata-se de um design totalmente suspenso, mas estável — "o truque é que tem de se manter estável ao mesmo tempo, não pode simplesmente ser deixado livre para se mover à vontade", explica Arthur. O sistema incorpora uma âncora virtual e uma amarração de torção, ambas patenteadas pela Funk Firm: uma placa rígida fixa ao braço mantém-se solidária a este, enquanto a cápsula fica presa à secção suspensa, eliminando a transferência de vibrações ao longo do tubo do braço nos dois sentidos.
Na prática, a instalação é simples e demora apenas alguns minutos: basta ligar a cápsula ao Houdini e encaixar o conjunto no braço de leitura, ajustando depois o VTA e a força de rastreamento, já que o dispositivo acrescenta cerca de 5 mm à altura da célula. Para braços sem ajuste de VTA, a Funk disponibiliza ainda o headshell Cobra (143 €), com a cabeça elevada para compensar essa diferença. Quanto ao APM, a inovação está numa estrutura interna composta por milhões de bolhas microscópicas cujas paredes flexionam para dissipar energia, impedindo que ressonâncias indesejadas cheguem à agulha — uma superfície dura, ao contrário do feltro ou da borracha, que reduz o atrito sem deixar de apoiar devidamente os discos.
O resultado final é uma plataforma que dá confiança de que a cápsula não está a ser limitada pelo resto do sistema. Isolar o gira-discos de interferências externas já é um benefício comprovado pela física; isolar a própria célula, aproximando-se ainda mais da fonte da música, é um passo adicional cujos resultados se ouvem claramente. Combinado com o tapete APM, o conjunto tanto pode transformar um gira-discos de gama básica num equipamento de alto desempenho, como melhorar até modelos já topo de gama.










