PSB Alpha AM5: Hi-Fi ao alcance de todos

António Eduardo Marques
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PSB Alpha AM5

No panorama da alta-fidelidade, existe frequentemente uma obsessão pelo "último grito" tecnológico, mas os audiófilos experientes sabem que os produtos que permanecem no catálogo são aqueles que superaram o teste do tempo. 


As PSB Alpha AM5 são o exemplo perfeito desta longevidade virtuosa. Longe de serem uma novidade (foram lançadas no final de 2020) estas colunas representam agora uma das melhores oportunidades do mercado nacional: um sistema "tudo-em-um" com pedigree canadiano que, pela sua maturidade comercial, pode agora ser adquirido em Portugal pelo valor extremamente competitivo de apenas 549 euros.


Com quase 50 anos de experiência na conceção de colunas, Paul Barton (as iniciais do seu nome são precisamente o P e o B de PSB) desenhou a série Alpha para ser a referência de entrada no mundo Hi-Fi. As AM5 baseiam-se nas premiadas Alpha P5, mas acrescentam a conveniência da amplificação interna. 

Um dos aspetos mais distintivos é, tal como na Alpha P5, a configuração invertida dos altifalantes, onde o woofer de 5,25 polegadas é colocado acima do tweeter de alumínio de 0,75 polegadas. Esta escolha técnica, coordenada com um crossover Linkwitz-Riley de 24dB/oitava, garante que o som permaneça em fase, independentemente de o ouvinte estar sentado ou de pé, criando um palco sonoro coerente e preciso.


Claro que isto é a teoria, mas sinceramente, tive as minhas dúvidas. Afinal, com uma elevação típica de 60 cm a partir do chão, é o woofer – e não o tweeter, como habitualmente – que fica ao nível dos nossos ouvidos. Mas a verdade é que esta topologia funciona efetivamente na prática.


Poder Digital com Coração NAD



Painel traseiro das PSB Alpha AM5


O que verdadeiramente distingue as AM5 de outras colunas ativas é a sinergia entre as marcas do grupo Lenbrook. O amplificador de Classe D de 50W RMS por canal utiliza módulos de amplificação HybridDigital inspirados na tecnologia da marca irmã NAD. 


Esta eletrónica não se limita a fornecer potência; utiliza um processador digital de sinais (DSP) avançado para otimizar a resposta de frequência e a extensão de graves. E, ao contrário de sistemas passivos, onde o amplificador é uma incógnita, aqui Barton foi capaz de desenhar a coluna sabendo exatamente que amplificação a iria alimentar, resultando num desempenho muito superior ao que o tamanho compacto sugere.


A PSB integrou ainda tecnologia da Waves Audio, especificamente o algoritmo MaxxBass, que é um pilar fundamental da sonoridade destas colunas. Esta técnica utiliza a psicoacústica para calcular harmónicos precisos baseados nas notas fundamentais, levando o ouvido a perceber frequências mais baixas que a coluna não conseguiria reproduzir fisicamente de forma eficaz, dado o seu tamanho.


Na prática, isto permite que as AM5 entreguem um som encorpado e profundo, mantendo uma excelente clareza nos médios, onde as vozes e os instrumentos acústicos brilham com um timbre natural e detalhado.

Do vinil ao streaming 



PSB Alpha AM5


A conetividade das AM5 foi pensada para o utilizador que não quer abdicar de nada, tornando-as num verdadeiro sistema hi-fi completo: temos conectividade Bluetooth com codec AptX e entrada digital ótica; uma entrada analógica de linha via mini-jack de 3,5mm e, coisa rara num produto deste tipo e, sobretudo, deste preço, um pré-amplificador de gira-discos (células MM), também desenvolvido pela NAD, que a marca diz que se destaca pelo seu silêncio de operação, mas que não tivemos oportunidade de testar. 

Apesar de eu considerar que a extensão de graves é excelente, sobretudo para colunas Bookshelf como estas, existe ainda uma saída para subwoofer que aplica um filtro passa-alto de 80Hz às colunas, libertando-as do esforço das baixas frequências e permitindo que toquem com ainda maior dinâmica e menos distorção.

A maioria das audições foi realizada utilizando streaming via Bluetooth a partir de um dispositivo móvel com suporte para AptX e usando o serviço de alta resolução Qobuz. Isto porque, sinceramente, acho que é este o cenário mais provável para quem pretende gastar pouco mais de 500€ num sistema de hi-fi: coloca as colunas num móvel ou prateleira (porque gastar metade do que as AM5 custam num par de suportes é algo que faz pouco sentido) e usa o seu smartphone para ouvir música.


As AM5 têm um único botão de ligar/desligar/potenciómetro à frente e um comando à distância simples. Um LED de várias cores dá-nos informação sobre o controlo de tonalidade, que é possível alterar à distância, e o sistema permite sempre fazer reset aos valores de graves e agudos para uma escuta mais flat.


O teste do algodão


Tudo isto é muito bonito, mas cai por terra se o resultado da audição não corresponder ao que a tecnologia e as especificações prometem “no papel”. Felizmente, posso garantir que o resultado é efetivamente excelente.

Os temas que reproduzi são os que uso normalmente para testar equipamentos de hi-fi, de forma a poder obter resultados consistentes, em vez de escolher músicas “adequadas” a cada sistema.


Peel Me A Grape, do álbum Love Scenes, de Diana Krall foi o primeiro a fazer mover os altifalantes destas PSB – não fosse ela também canadiana! É um tema com poucos instrumentos (piano, guitarra elétrica e contrabaixo) a adornar a voz de Krall que de imediato revela lacunas, e potencialidades, dos equipamentos.


Neste caso, o contrabaixo mostrou-se controlado ao mesmo tempo que a voz e o piano se mantinham cristalinos – algo que não é fácil. Se tenho algo a apontar é que a extensão de graves me pareceu algo exagerada o que, consoante o tipo de utilizador, pode ou não ser uma vantagem. 


No entanto, foi o único tema em que senti isso. Porque noutro tema onde também o contrabaixo surge de forma proeminente – Easy Money, de Ricky Lee Jones – nada disso aconteceu. Este é outro tema em que muitos sistemas revelam limitações, mas uma vez mais as AM5 mostraram que são capazes de se bater com sistemas muito mais caros.


Um tema em que é sobretudo a voz que é preciso controlar e reproduzir de forma convincente é Rosa Enjeitada, na versão do álbum Roubados, de Aldina Duarte e com a participação de António Zambujo. Aqui, o desafio é fazer transparecer a emoção dos artistas e, uma vez mais, há uma diferença entre uma reprodução apenas competente e uma rendição verdadeiramente emotiva. E as AM5 foram capazes de oferecer esta última versão – e de forma mais convincente do que um par de colunas de preço 10 vezes superior a estas (cuja marca não irei relevar) que eu e o Fernando ouvimos no final do ano passado a tocar exatamente o mesmo tema numa sala de hotel.


Solução inteligente para espaços contemporâneos


As PSB Alpha AM5 foram desenhadas sob uma estética de minimalismo funcional, disponíveis em acabamentos mate preto ou branco que se integram facilmente em qualquer decoração. 

A ausência de botões frontais, além do já referido botão on/off/potenciómetro, e o uso de uma grelha metálica fixada magneticamente reforçam o visual limpo. 


Em termos de mercado-alvo, como já sugeri anteriormente, imagino um utilizador que gosta de música e está disposto a investir mais do que simplesmente nuns auscultadores para o seu telemóvel, mas que não pretende gastar muito e, ao mesmo tempo, também não tem interesse em lidar com sistemas de múltiplos componentes.


Ou alguém, por exemplo, que esteja agora a descobrir o vinil e queira ligar o gira-discos diretamente a um par de colunas sem mais preocupações. Em alternativa, também vejo estas PSB AM5 como um excelente segundo sistema um quarto ou escritório.


Concluindo, o facto de as PSB Alpha AM5 não serem um modelo recente é, paradoxalmente, a sua maior força. Por 549 euros, o mercado dificilmente oferece uma solução mais competitiva que esta.

PSB Alpha AM5. PVP: 549€. Distribuição Esotérico.

Disponíveis em preto e em branco.

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