O equipamento patenteado por Cecil E. Watts revolucionou a manutenção dos LP e continua a ser uma peça histórica do Museu da RTP
Quase 78 anos após o lançamento do primeiro disco de vinil, a 21 de junho de 1948, o Museu da RTP destaca uma das invenções que ajudou a preservar a qualidade sonora deste formato: a máquina de limpeza de discos Parastat, um equipamento concebido no Reino Unido no início da década de 1960 por Cecil E. Watts.
Registado com a designação de “máquina de limpeza de registos de gramofone”, o aparelho surgiu numa altura em que os discos de vinil, conhecidos como Long Play (LP), substituíam progressivamente os antigos discos de goma-laca de 78 rotações. Com a crescente popularização do novo suporte, os utilizadores começaram a deparar-se com um problema comum: a acumulação de poeiras e impurezas nas microscópicas ranhuras dos discos, comprometendo a qualidade da reprodução sonora e aumentando o desgaste das agulhas dos gira-discos.
Limpeza profunda em menos de dez segundos
Para responder a esta necessidade, Cecil E. Watts desenvolveu uma solução mecânica simples e eficaz. O sistema fazia girar o disco através de uma manivela enquanto uma escova central equipada com mais de 30 mil cerdas ultrafinas de nylon removia as partículas acumuladas nos sulcos. Graças à flexibilidade e finura das cerdas, era possível alcançar as zonas mais profundas das ranhuras sem riscar ou danificar a superfície do vinil.
Uma das características mais inovadoras do equipamento era a capacidade de limpar simultaneamente as duas faces do disco. Em menos de dez segundos, a máquina eliminava a maior parte do pó e da sujidade acumulados, contribuindo para uma reprodução sonora mais limpa e fiel à gravação original.
Combate à eletricidade estática
Além da limpeza mecânica, o Parastat ajudava a reduzir a eletricidade estática gerada pelo contacto entre o disco e o ambiente. Este fenómeno era um dos principais responsáveis pela atração de partículas de pó para a superfície dos LP. Para reforçar esta função, o kit original incluía um líquido antiestático desenvolvido especificamente para ser utilizado durante o processo de limpeza.
A redução da carga eletrostática representava uma vantagem significativa para os colecionadores e entusiastas da alta-fidelidade, uma vez que diminuía o ruído de fundo e prolongava a vida útil dos discos.
Uma peça preservada no Museu da RTP
O exemplar atualmente conservado pelo Museu da RTP corresponde ao modelo Parastat MKIIIA, lançado em 1970. A peça testemunha uma época em que a manutenção dos suportes analógicos era considerada essencial para garantir a qualidade da experiência de audição.
O regresso do vinil
Apesar do avanço das tecnologias digitais, o vinil tem registado um crescimento significativo nas últimas duas décadas. Considerado por muitos audiófilos como um formato capaz de proporcionar uma experiência sonora mais envolvente, os LP continuam a atrair novos públicos e colecionadores. Este ressurgimento tem igualmente renovado o interesse por acessórios históricos de manutenção, como as máquinas de limpeza desenvolvidas por Cecil E. Watts, hoje reconhecidas como marcos da evolução tecnológica associada à reprodução musical doméstica.
