As Vivid Audio Kaya S12 demonstram que uma coluna compacta pode competir com propostas de maior dimensão quando o objetivo é reproduzir música com máxima transparência e rigor.
Concebidas por Laurence Dickie, o engenheiro responsável pelas icónicas Bowers & Wilkins Nautilus, estas monitoras recorrem a soluções técnicas herdadas da série Giya para oferecer um desempenho de referência em salas de pequenas e médias dimensões.
O legado de Laurence Dickie
É impossível abordar as Kaya S12 sem falar do seu criador. Laurence Dickie é uma das figuras mais influentes da engenharia acústica moderna, conhecido pelo desenvolvimento das lendárias Bowers & Wilkins Nautilus, um projeto iniciado por John Bowers com um objetivo ambicioso: criar a melhor coluna de som alguma vez construída.
Segundo Peter Fryer, então diretor de investigação do Steyning Research Establishment (SRE), John Bowers entregou o projeto a um único engenheiro com uma missão clara: ignorar convenções e explorar todas as soluções necessárias para alcançar a máxima qualidade sonora. Esse engenheiro era Laurence Dickie, que mais tarde fundaria a Vivid Audio, marca sul-africana especializada em colunas de alta-fidelidade de elevado desempenho.
Uma caixa moldada para eliminar ressonâncias
As Kaya S12 seguem a filosofia de que a forma deve resultar da função. A caixa em poliuretano RIMCast moldado por injeção apresenta linhas orgânicas que vão muito além da estética, reduzindo drasticamente as ressonâncias internas e criando um ambiente acústico neutro para o funcionamento dos altifalantes.
O desenho integra um carregamento em forma de corneta suave para o tweeter e um tubo bass-reflex cónico, solução estreada na série Giya G1. No interior, um absorvedor exponencial envolve a parte traseira do altifalante de médios/graves, utilizando ranhuras preenchidas com material absorvente para dissipar diferentes frequências e impedir que a energia refletida interfira com o movimento do cone.
Ao contrário da maioria dos fabricantes, a Vivid Audio desenvolve e produz os seus próprios altifalantes. As Kaya S12 utilizam o tweeter D26 de cúpula metálica reforçada com carbono, comum à restante gama, enquanto o altifalante C100L de 100 mm foi desenvolvido especificamente para este modelo.
Outro detalhe técnico diferenciador é a utilização de fio plano nas bobinas móveis, em substituição do tradicional fio redondo. Esta solução melhora a eficiência, reduz o tempo de estabilização dos altifalantes e elimina a necessidade das longas horas de rodagem normalmente associadas a colunas de alta-fidelidade.
Transparência que aproxima o ouvinte da gravação
As Kaya S12 impressionam pela capacidade de revelar informação sem recorrer a qualquer tipo de exagero. A combinação entre baixa distorção, elevada resolução e rapidez de resposta traduz-se numa apresentação extremamente natural, onde vozes e instrumentos surgem separados com grande precisão.
Durante os testes, realizado com os amplificadores TacT Millennium (150 W por canal) e Pro-Ject Stereo Box RS (120 W/8Ω), as pequenas monitoras demonstraram uma capacidade invulgar para reproduzir microdinâmica e texturas sonoras.
As Kaya S12 conseguem reunir duas qualidades que raramente coexistem: um sentido rítmico vibrante e enérgico com um nível de transparência que faz lembrar as colunas planar-magnéticas. Essa capacidade mantém-se independentemente do género musical. Desde a intensidade de «Love Is Blindness», a interpretação de Jack White para os U2, gravada com uma qualidade invulgar, passando pela subtileza lo-fi de «Reflection Eternal», de Nujabes, até à atmosfera etérea de «Fade Into You», dos Mazzy Star, estas colunas revelam tanto os mais ínfimos detalhes como a profundidade emocional de cada interpretação.
O aspeto mais impressionante das Kaya S12 é, contudo, a sua extraordinária baixa distorção. É um paradoxo curioso: enquanto os componentes eletrónicos modernos apresentam níveis de distorção praticamente residuais, as colunas continuam, regra geral, a ser o elo mais imperfeito da cadeia de reprodução. Quando encontramos um modelo que consegue reduzir essas limitações de forma tão eficaz como as Kaya S12, o resultado é imediatamente percetível. A música ganha uma coerência invulgar, as diferentes frequências integram-se de forma mais natural e a experiência torna-se simultaneamente mais credível e envolvente.
Esta sensação de transparência não resulta de um único elemento, mas da forma como todos os componentes trabalham em conjunto. A caixa, praticamente inerte, e o sistema de absorção evitam que vibrações indesejadas interfiram com o funcionamento dos altifalantes. As próprias unidades de reprodução distinguem-se pela rapidez e ausência de coloração, enquanto o suporte parece cumprir a sua função de forma exemplar, sem acrescentar nem retirar carácter ao som.
As Kaya S12 não se limitam a reproduzir notas; revelam o silêncio entre elas, a intenção dos músicos
O resultado é uma apresentação de uma naturalidade impressionante, que convida a prolongar cada sessão de audição. As Kaya S12 não se limitam a reproduzir notas; revelam o silêncio entre elas, a intenção dos músicos e as subtis nuances da interpretação. Em «Marais Maison», do álbum Douo, dos franceses Bertrand Renaudin e Olivier Cahours, essa capacidade torna-se evidente: a proximidade com os intérpretes é tal que a sensação é a de assistir a uma atuação privada, onde praticamente desaparecem as barreiras entre o ouvinte e a música.
Uma das imagens estéreo mais convincentes
Um dos maiores trunfos das Kaya S12 é a sua reprodução espacial. Quando corretamente posicionadas nos suportes dedicados, desaparecem praticamente da sala, criando um palco sonoro tridimensional onde cada instrumento ocupa uma localização perfeitamente definida.
Esta capacidade de "desaparecer" permite concentrar toda a atenção na música e não nas colunas, aproximando a experiência daquilo que normalmente se associa a sistemas eletrostáticos ou a monitores de estúdio de referência.
A reduzida distorção desempenha aqui um papel determinante, contribuindo para uma apresentação particularmente coesa e credível, independentemente do género musical.
As limitações físicas de um monitor compacto impedem naturalmente uma extensão muito profunda dos graves. Ainda assim, as Kaya S12 conseguem descer até aos 45 Hz com uma resposta gradual e extremamente controlada.
Em vez de privilegiar impacto excessivo, optam por uma reprodução rápida, articulada e ritmicamente precisa. Numa sala de pequenas dimensões, esta abordagem revela-se uma vantagem, reduzindo problemas de ressonâncias e ondas estacionárias frequentemente associados a colunas de maior porte.
A integração com um subwoofer deverá ser cuidadosamente ponderada, uma vez que a rapidez dos graves das Kaya S12 poderá evidenciar diferenças de velocidade entre ambos os sistemas.
Construção de referência
As Kaya S12 são colunas de duas vias em caixa bass-reflex, equipadas com um woofer de 100 mm em liga metálica e um tweeter de 26 mm de cúpula metálica. Apresentam resposta em frequência entre 45 Hz e 25 kHz (±6 dB), frequência de crossover de 3 kHz, sensibilidade de 87 dB e impedância nominal de 8 ohms.
Com dimensões de 400 × 237 × 254 mm e um peso de 8 kg por unidade, estão disponíveis em Preto Piano, Branco Pérola, Cinza Ostra Mate e acabamentos personalizados.
Disponíveis na Ajasom com um preço de 6.500 euros por par nas versões standard e de 7.150 euros nas cores personalizadas. Os suportes dedicados são vendidos separadamente por 2.000 euros o par.
Veredicto
As Vivid Audio Kaya S12 demonstram que o desempenho de uma coluna de alta-fidelidade não depende exclusivamente do tamanho. A combinação entre engenharia sofisticada, baixíssima distorção, transparência excecional e uma reprodução estéreo de nível quase holográfico faz destas monitoras uma das propostas mais interessantes do segmento premium.
Não são colunas para quem procura graves avassaladores, mas para quem privilegia rigor tonal, velocidade, detalhe e realismo musical, as Kaya S12 aproximam-se do ideal. São, em essência, uma versão compacta da filosofia sonora da Vivid Audio: extremamente precisa, incrivelmente transparente e fiel à gravação original.







