O Eversolo Play é uma máquina que faz parte de uma crescente categoria de componentes que pretendem trazer a reprodução de alta-fidelidade a um público mais vasto, mas sem por isso ceder à qualidade.
Esta máquina esteve na redação da Música & Som no início deste ano, cortesia da Delaudio, que distribui a marca em Portugal, mas só agora foi possível escrever esta análise.
O primeiro impacto com este Eversolo Play é a de que estamos na presença de um equipamento com uma excelente qualidade de construção e atenção ao detalhe.
A verdade é que a Eversolo tem vindo a redefinir as expectativas no segmento do áudio digital, e esta máquina (prémio EISA para Best Value Streaming Amplifier 2025-2026) afirma-se como uma proposta incontornável para quem procura a máxima conveniência sem sacrificar a integridade sonora.
Trata-se de um amplificador de streaming "tudo-em-um" que se apresenta numa elegante caixa de alumínio maquinado em CNC que, apesar das suas dimensões compactas, encerra uma versatilidade técnica impressionante, capaz de transformar qualquer par de colunas num sistema de alta-fidelidade completo e com muito poucos compromissos: o Play é uma solução completa, pronta a usar, exigindo apenas a ligação de um par de colunas para começar a tocar.
No seu coração "bate" um amplificador de Classe D de alto desempenho, baseado na tecnologia PurePath™ Ultra HD da Texas Instruments, que debita uns robustos 60W por canal a 8Ω, garantindo uma reprodução detalhada e com baixíssima distorção em todo o espetro audível.
A conversão digital-analógica está entregue ao chip AK4493SEQ da AKM, que utiliza a tecnologia VELVETSOUND™ para proporcionar um som fluido e natural, preservando as nuances das gravações de alta resolução – e cujos resultados foi possível verificar na prática.
Facilidade de utilização
Em termos de operação, o sistema operativo é baseado em Android mas foi otimizado pelo motor EOS (Eversolo Original Sampling-rate) o qual garante que o áudio de alta resolução seja processado sem as limitações de conversão típicas de outros sistemas, entregando um som "bit-perfect" ao DAC. Além disso, toda a interface encontra-se em Português, facilitando ainda mais a operação já de si muito simples da máquina.
De facto, a navegação entre serviços de streaming como Tidal, Qobuz, Spotify ou Apple Music é feita de forma fluida, quer diretamente no ecrã do aparelho, quer através da aplicação de controlo para dispositivos móveis – sendo que esta, à data da review, ainda não estava em Português, pelo menos na sua versão Android.
O Eversolo Play, apesar de estar pronto a usar, dado ser um streaming com acesso a fontes de música online, oferece ainda bastante flexibilidade adicional, através de um andar de pré-amplificação com suporte para três entradas digitais (HDMI ARC, coaxial e ótica), bem como uma entrada de linha (2x RCA) e ainda uma entrada dedicada para gira-discos com suporte para células MM e MC – algo raro nesta gama de preços.
O leque de entradas e saídas inclui ainda uma saída analógica para sub-woofer, uma saída digital coaxial, duas tomadas USB 3.0 e uma tomada Ethernet Gigabit. A conectividade sem fios está assegurada através de ligações via Wi-Fi (2.4/5 GHz) e Bluetooth 5.3. No entanto, esta é uma máquina para ser ligada à rede doméstica por Wi-Fi ou cabo de rede, uma vez que a ligação Bluetooth irá degradar a qualidade do som, dado suportar apenas codecs básicos SBC/AAC.
O "teste do algodão"
Claro que por muito impressionante que tudo isto seja, seria absolutamente irrelevante se, no momento da audição, o Eversolo não estivesse à altura das circunstâncias. Mas, a esse nível, temos boas notícias.
A nível sonoro, o Eversolo Play não deixa créditos por mãos alheias e revela uma transparência e um palco sonoro que surpreendem tendo em atenção que estamos na presença de uma máquina de preço relativamente modesto. Na reprodução digital (a principal fonte usada foi o Qobuz via Qobuz Connect), o aparelho demonstrou uma capacidade notável de separar as camadas instrumentais, mantendo as vozes focadas e presentes, com um controlo de graves que pode ser ainda mais refinado através das ferramentas integradas para gestão de subwoofers e calibração de sala.
Pelo preço (699€ via Delaudio), o que temos aqui é uma proposta imbatível, cuja qualidade final só depende do par de colunas que lhe for adicionado. No nosso caso, experimentámos com umas Jamo Concert 8 (cujo preço original é várias vezes superior ao desta máquina) e também com umas Acoustic Energy AE1002 – esta últimas, um casamento feito no céu, com resultados excecionais para um sistema que ficaria assim com um custo total de pouco mais de 1000 euros.
Em jeito de conclusão, o Eversolo Play é uma solução magistral que prova que o luxo audiófilo e a integração tecnológica podem caminhar de mãos dadas, oferecendo uma performance que desafia componentes muito mais onerosos.
Nota: Existe uma versão com leitor de CD integrado (Eversolo Play CD, que não foi testado) que adiciona, por mais 100€, a capacidade não apenas de leitura de CD, mas também a possibilidade de ripar discos para uma unidade USB externa (sendo que é capaz, depois, de reproduzir também os ficheiros a partir dessa mesma unidade), desta forma posicionando-se como uma interessante ferramenta de preservação digital.
Gostámos muito:
Qualidade de construção
Facilidade de utilização
Flexibilidade (fontes, phono MM/MC)
Prestações sonoras
Preço
Gostámos menos:
Ausência de saída para auscultadores
Preço
Gostámos menos:
Ausência de saída para auscultadores



