A primeira vez que considerei as vantagens de ter uma power station em casa foi durante o apagão de 2025. Mas agora, com a instabilidade da rede elétrica devido ao mau tempo, os benefícios vão muito para além de termos acesso à nossa música mesmo sem eletricidade.
O termo power station refere-se a uma categoria de equipamentos cuja popularidade é crescente num mundo cada vez mais afetado pelas consequências das alterações climáticas, sobretudo em sistemas de armazenamento de energia conjugados com painéis solares.
Em 2025, Portugal viveu um "apagão" da rede elétrica durante várias horas e, mais recentemente, diversas regiões do país têm sido afetadas por problemas graves de falta de energia, pelo que o interesse neste tipo de produtos tem aumentado de forma significativa.
Mas, mesmo em zonas menos afetadas pelas intempéries, existem situações de instabilidade na rede elétrica. No meu escritório, que fica na zona da Grande Lisboa, as UPS ligadas aos computadores têm dado quase diariamente sinal de entrarem em funcionamento, de forma pontual, ainda que durante apenas alguns momentos. Isto é aquilo a que normalmente se dá o nome de brownout, uma queda na magnitude da tensão num sistema de energia elétrica (por oposição a blackout, que corresponde a uma falha total no fornecimento).
A maioria das réguas de distribuição de energia que muitos audiófilos usam para alimentar os seus equipamentos possuem circuitos que protegem contra picos de corrente (um repentino aumento da tensão) que podem destruir as fontes de alimentação e, até, o resto da eletrónica de amplificadores, streamers e outros componentes num sistema de alta-fidelidade – mas nada podem fazer relativamente aos brownouts, que são também uma ameaça para os nossos equipamentos de alta-fidelidade.
Existem pelo menos três áreas que podem sofrer potenciais consequências perante estas oscilações na rede, para as quais nenhum bloco de tomadas, por muito bom que seja, nos irá proteger:
• Amplificadores: Uma tensão mais baixa pode fazer com que os amplificadores consumam corrente excessiva para manter o desempenho, o que frequentemente leva ao sobreaquecimento e à falha prematura dos componentes internos;
• Componentes digitais: Os DACs, streamers de rede e computadores são sensíveis a flutuações de tensão, o que pode causar erros de dados, stress nos componentes e, em casos graves, falha na fonte de alimentação;
• Gira-discos: Os motores dos gira-discos podem ficar danificados ou funcionar a velocidades incorretas durante um brownout.
Powerstation como UPS
Em circunstâncias normais, os brownouts duram apenas frações de segundo e acabam por não causar danos nos equipamentos, cujas fontes de alimentação são construídas de forma a poderem lidar com estas situações de forma pontual. O problema são cenários como aquele em que estamos a viver (e que se irão repetir, infelizmente, daqui para o futuro), em que os brownouts podem durar mais do que apenas alguns milissegundos.
Até agora, a solução passava por usar unidades de alimentação ininterrupta (UPS) como as que se usam desde há décadas para proteger equipamentos informáticos. Contudo, estas UPS têm alguns problemas, que derivam da química usada nas suas baterias, normalmente de chumbo/ácido: são muito pesadas, carecem de manutenção regular (as baterias têm de ser substituídas a cada dois anos), são frequentemente ruidosas (com ventoinhas a funcionar mesmo sem estarem sob carga) e nem sequer são muito potentes, em termos da energia que são capazes de debitar em caso de falha de corrente.
Neste sentido, as power stations são uma solução muitíssimo superior. São comparativamente leves, graças à utilização de baterias de lítio com química LFP (a mesma dos modernos veículos elétricos), não carecem de manutenção (mantêm até 80% da carga ao fim de 3000 ciclos de carga/descarga), são silenciosas e muito mais potentes.
Por outro lado, custam mais do que uma UPS (embora, a prazo, isso seja compensado pelo facto de que não é preciso comprar baterias novas a cada dois anos) e, até há bem pouco tempo, a sua eletrónica nem sequer era suficientemente rápida para poderem ser usadas como UPS – a capacidade de resposta andava tipicamente na casa dos 20 milissegundos.
A Ecoflow River 3 Plus
Este último fator era o deal breaker que impedia uma power station de ser usada como UPS. Contudo, em meados de 2025, a Ecoflow, uma das principais marcas de power stations, lançou um produto que viria a revolucionar o mercado: o modelo River 3 Plus, cuja eletrónica oferece uma capacidade de resposta inferior a 10 milissegundos, o limiar que permite que o equipamento seja usado em funções de UPS.
A Ecoflow River 3 Plus é uma power station bastante acessível, com um preço de 299€, mas com uma particularidade interessante, que é o de poder ser atualizada com baterias externas que encaixam diretamente na sua base.
O equipamento pode ser adquirido na sua versão-base e depois atualizado ou comprado desde logo com uma das duas baterias adicionais disponíveis – neste caso passa a designar-se River 3 Max. Foi precisamente uma destas unidades que o distribuidor da marca em Portugal, a Best2Me, nos disponibilizou para testes.
A versão River 3 Plus oferece 286 Wh de capacidade, a River 3 Max com bateria EB300 (que foi a que recebemos) sobe a parada para 572 Wh e, com a bateria EB600, oferece 858 Wh. Em qualquer destas variantes, a eletrónica baseada em semicondutores GaN de última geração permite uma velocidade de resposta igual ou inferior a 10 milissegundos em caso de falha de energia total (blackout) ou parcial (brownout). Estas baterias externas podem ainda ser usadas de forma isolada, como "power banks" gigantes.
Ao contrário das UPS convencionais, esta power station possui funcionalidades adicionais interessantes e úteis, como gestão através de app móvel, portas USB para carregamento de dispositivos portáteis (duas USB-A e uma USB-C, esta com suporte Power Delivery de 100 W) e até uma tomada de automóvel 12v tipo isqueiro. Uma tomada USB-C adicional na bateria externa eleva a potência de carregamento para 140 W.
Brownout ou blackout?
A ideia deste artigo é sugerir uma solução que proteja os nossos equipamentos em caso de brownouts, que é um cenário com o qual iremos ter de conviver cada vez mais no futuro.
No entanto, estas também são soluções que permitem a utilização do hi-fi durante blackouts totais. Para esses cenários, existem evidentemente soluções ainda mais potentes e capazes. No caso da Ecoflow, recebemos também uma unidade Delta 3 Max, com 2 kWh de capacidade, mas que ainda não testámos.
Ecoflow River 3 Plus/Max
PVP: A partir de 299€ (River 3 Plus)
Representante: Best2Me




