Um bom móvel de hi-fi pode melhorar o som do seu sistema

Fernando Marques
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O suporte onde estão instalados os equipamentos de alta-fidelidade tem influência no desempenho do sistema, sobretudo quando estão em causa gira-discos e amplificadores de válvulas. O controlo das vibrações é fundamental para reduzir ruído e preservar a qualidade da reprodução.


Um sistema de alta-fidelidade não termina nos componentes eletrónicos. O móvel onde estes estão instalados pode desempenhar um papel importante, sobretudo na reprodução de música em formato analógico.


Passos, tráfego rodoviário, máquinas domésticas ou mesmo as vibrações transmitidas pelo próprio edifício podem chegar aos equipamentos através do chão e dos pés do mobiliário. A isto juntam-se as vibrações provocadas pelas colunas de som, que aumentam à medida que sobe o volume de reprodução.



O problema é particularmente relevante nos gira-discos. A agulha trabalha com movimentos extremamente pequenos e não consegue distinguir entre a informação gravada no disco e vibrações mecânicas exteriores. Estas podem acabar por ser transformadas em sinal áudio, aumentando o ruído e afetando a precisão da reprodução.


Os equipamentos com válvulas também são particularmente sensíveis. As válvulas apresentam características microfónicas, podendo transformar vibrações mecânicas em sinais elétricos indesejados. Já equipamentos digitais, como DAC e streamers, tendem a ser menos vulneráveis, por não possuírem elementos mecânicos tão sensíveis.


Acoplamento ou desacoplamento?

Existem duas abordagens principais para controlar estas vibrações: o acoplamento e o desacoplamento.


O acoplamento procura criar uma ligação rígida entre o equipamento, o móvel e o chão. É uma solução frequentemente utilizada com estruturas pesadas e pisos rígidos, como os de betão, podendo recorrer a espigões para transferir a energia vibratória para uma massa maior.


No desacoplamento, o objetivo é precisamente o contrário: introduzir uma interface entre o equipamento e a estrutura para impedir que as vibrações exteriores cheguem ao componente. É o princípio utilizado por plataformas de isolamento e determinadas prateleiras suspensas.


Na prática, alguns suportes procuram combinar as duas filosofias, recorrendo a estruturas rígidas para garantir estabilidade e a elementos de suspensão ou amortecimento para controlar a transmissão de vibrações.


Skyanalog leva a experiência das cápsulas para o mobiliário

É neste contexto que surge o Skyanalog Simplexity R-25. A marca chinesa é conhecida sobretudo pelas suas cápsulas de bobina móvel, componentes em que o controlo das vibrações assume uma importância fundamental.


O rack utiliza prateleiras de contraplacado de bétula e elementos de alumínio maquinados por CNC. Cada nível é concebido para limitar a transmissão mecânica entre componentes, enquanto o sistema de suspensão permite ajustar o comportamento do conjunto.


Um dos elementos mais particulares é a chave dinanométrica fornecida com o rack. O utilizador pode alterar o binário aplicado nos pontos de suspensão, modificando o grau de amortecimento do sistema. A Skyanalog associa diferentes configurações a alterações na apresentação sonora, embora este tipo de diferença deva ser avaliado no contexto de cada sistema e sala de audição.



Todos os modelos utilizam uma base com 631 x 541 mm, variando sobretudo o número de níveis e a capacidade de carga.


Quatro configurações para diferentes sistemas

O Simplexity R-25/1 é a versão de um nível. Tem 108 mm de altura e suporta até 60 kg, podendo ser utilizado para um componente pesado ou como plataforma dedicada para um gira-discos.


O R-25/2 acrescenta um segundo nível, apresenta 385 mm de altura e suporta até 50 kg por prateleira. Pode acomodar, por exemplo, um gira-discos e um amplificador integrado.


Com três níveis e 662 mm de altura, o R-25/3 permite uma configuração mais completa, com gira-discos, pré-amplificador de phono, streamer ou DAC e amplificação.


No topo da gama está o R-25/4, com 939 mm de altura e quatro níveis. Cada prateleira suporta até 35 kg, permitindo instalar um sistema composto por várias fontes e componentes de amplificação.


Uma das vantagens da estrutura modular é a possibilidade de começar com menos níveis e acrescentar outros posteriormente, até quatro.



Onde colocar cada componente?

A distribuição dos equipamentos dentro do rack também merece atenção. Num sistema com gira-discos, este deve normalmente ocupar a prateleira superior. Além de ficar mais afastado das vibrações provenientes do chão, esta posição facilita o nivelamento e deixa espaço para o movimento do braço.


O amplificador, especialmente se for pesado ou utilizar válvulas, pode ser colocado numa posição inferior, aproveitando a maior estabilidade proporcionada pela estrutura.


O pré-amplificador de phono deve ficar afastado de fontes potenciais de interferência eletromagnética, como transformadores de alimentação de amplificadores. DACs e streamers podem ocupar os níveis intermédios.


Mais do que seguir uma configuração universal, é importante garantir que cada componente fica numa superfície estável, perfeitamente nivelada e com ventilação adequada.



O suporte consegue realmente alterar o som?

A resposta depende do sistema. A influência de uma estrutura de suporte não deve ser confundida com uma alteração das características fundamentais de um amplificador, DAC ou coluna. No entanto, o controlo das vibrações mecânicas pode ser relevante em determinados componentes.


Nos gira-discos, onde a leitura é feita mecanicamente através de uma agulha e de uma cápsula, a estabilidade da plataforma é particularmente importante. Uma estrutura inadequada pode facilitar a transmissão de vibrações provenientes do chão ou das colunas.


Nos amplificadores de válvulas, a sensibilidade mecânica das válvulas também pode justificar cuidados adicionais. Num sistema exclusivamente digital, a influência tende a ser menos evidente, embora a estabilidade mecânica continue a ser importante para a instalação, ventilação e organização dos equipamentos.


Por isso, a escolha de um rack de alta-fidelidade deve começar pelas características concretas do sistema: peso dos componentes, tipo de piso, presença de gira-discos, utilização de válvulas, dimensões dos equipamentos e necessidade de expansão futura.


Mais do que uma questão estética, o suporte é uma parte da instalação que determina a estabilidade mecânica dos componentes. No caso de sistemas analógicos, essa estabilidade pode assumir um papel especialmente importante na procura de uma reprodução com menor interferência das vibrações externas. Disponível na My HI-FI HOUSE.





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