Canor Virtus A3: amplificador híbrido com DAC e phono

Fernando Marques
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O Canor Virtus A3 é um amplificador integrado híbrido que combina válvulas, transístores e uma arquitetura dual-mono para oferecer 100 W por canal a 8 ohms. Com DAC de alta qualidade, pré-amplificador phono MM/MC e amplificador de auscultadores, este equipamento eslovaco pretende concentrar as funções essenciais de um sistema Hi-Fi de gama alta num único componente.


Fundada em 1995, em Prešov, na Eslováquia, a Canor evoluiu de uma pequena unidade de produção para um fabricante de equipamentos de áudio de alta fidelidade com uma estrutura industrial tecnologicamente avançada. A empresa desenvolve os seus próprios produtos e presta serviços de produção OEM a outras marcas do setor, beneficiando de um elevado nível de integração vertical.


O Virtus A3 representa a aposta da marca num amplificador integrado capaz de combinar diferentes tecnologias de amplificação com uma ampla variedade de funcionalidades. O equipamento utiliza um circuito híbrido que associa duas válvulas E88CC, responsáveis por contribuir para a assinatura sonora, a uma secção de potência baseada em componentes de estado sólido.


Segundo a Canor, a arquitetura de amplificação inspira-se no sistema Current Dumping, desenvolvido por Peter Walker, fundador da Quad, na década de 1970, e posteriormente aperfeiçoado pela marca eslovaca. O objetivo é conjugar características habitualmente associadas à Classe A com a eficiência energética da Classe A/B.


A potência anunciada é de 100 W por canal a 8 ohms, aumentando para 150 W por canal a 4 ohms. Para controlar a temperatura dos componentes, a Canor recorre a tubos de calor e a duas ventoinhas de funcionamento praticamente silencioso. O utilizador pode acompanhar no ecrã a temperatura das secções de potência e a velocidade das ventoinhas.





Construção cuidada e comandos intuitivos

O design do Virtus A3 caracteriza-se por linhas retas, um chassis de alumínio anodizado e um painel frontal dominado por um comando rotativo multifunções de grandes dimensões. Este elemento chama imediatamente a atenção porque integra um ecrã tátil na superfície frontal e permite controlar praticamente todas as funções e parâmetros do amplificador.


O equipamento dispõe ainda de um ecrã de matriz de pontos que apresenta a fonte selecionada e o nível de volume, bem como uma saída para auscultadores de 6,3 mm. O controlo remoto incluído permite realizar as operações mais frequentes sem recorrer aos comandos no painel frontal.


Na traseira, as ligações estão organizadas por função e incluem duas entradas de linha RCA, duas entradas XLR, uma entrada phono RCA com ligação à terra e saídas de pré-amplificação RCA e XLR. Algumas entradas podem ser configuradas para funcionamento em modo bypass de cinema em casa, com nível fixo.


A conectividade digital contempla duas entradas óticas, duas coaxiais, uma USB-C e uma AES/EBU, permitindo ligar diversas fontes digitais. O amplificador inclui igualmente ligações de disparo de 12 V para integração com outros equipamentos compatíveis.


DAC dual-mono e pré-amplificador phono ajustável

Um dos principais argumentos do Canor Virtus A3 é a integração de um conversor digital-analógico (DAC) baseado em dois chips ESS9038, numa configuração dual-mono. Esta arquitetura é utilizada ao longo do sistema, incluindo as secções de conversão digital-analógica e de pré-amplificação phono, bem como o amplificador de auscultadores, que funciona em Classe A.




O DAC disponibiliza nove filtros digitais, permitindo experimentar diferentes opções de processamento do sinal. Existe também uma função de ajuste de nível de +3 ou +6 dB para as fontes analógicas, embora esta possibilidade não esteja disponível para as entradas digitais.


O pré-amplificador phono integrado permite ligar gira-discos com cápsulas de íman móvel (MM) ou bobina móvel (MC). O ganho pode ser selecionado entre 40 e 46 dB para cápsulas MM e entre 60 e 66 dB para cápsulas MC. A capacitância de entrada das cápsulas MM é ajustável entre 50 e 400 pF, enquanto a impedância pode ser configurada para 10, 50, 100, 1000 ou 47 000 ohms.


Esta flexibilidade permite adaptar o estágio phono a uma ampla variedade de cápsulas, reduzindo a necessidade de recorrer a componentes externos para integrar fontes analógicas no sistema.


Reprodução sonora privilegia naturalidade e detalhe

Na avaliação auditiva, o Virtus A3 destacou-se pela capacidade de construir uma imagem sonora tridimensional, com boa separação entre instrumentos e uma apresentação espacial coerente. O fundo silencioso contribuiu para a identificação de diferentes elementos musicais, sem comprometer a organização global da reprodução.


A gravação The Epic, do saxofonista de jazz norte-americano Kamasi Washington, evidenciou a capacidade do amplificador para organizar passagens complexas. Já Royals, da cantora neozelandesa Lorde, permitiu apreciar a reprodução dos espaços e efeitos sonoros criados em estúdio.



O equipamento revelou igualmente versatilidade perante diferentes estilos musicais. Em Cortez the Killer, de Neil Young com os Crazy Horse, demonstrou autoridade e definição, enquanto Grandmother, interpretada por Rebecca Pidgeon, evidenciou a capacidade para reproduzir vozes delicadas com naturalidade.

A apresentação sonora não procura, contudo, disfarçar as limitações das gravações menos conseguidas. A audição de Rattle and Hum, dos U2, em vinil, através de uma cápsula Ortofon MC X20 e do estágio phono integrado, mostrou que o Virtus A3 não tende a embelezar artificialmente o material musical.


O DAC manteve uma abordagem equilibrada, com diferenças relativamente discretas entre os filtros disponíveis. A opção Hybrid Filter foi a preferida durante o teste, destacando-se pela reprodução clara do timbre dos instrumentos, sem exagerar os sons acessórios ou as frequências agudas. A avaliação foi realizada com colunas Acoustic Energy Corinium e com um Eversolo A6-ME como fonte digital.


Um sistema Hi-Fi completo num único equipamento

A combinação de potência, conectividade e funcionalidades posiciona o Canor Virtus A3 como uma solução para quem procura construir um sistema de alta fidelidade com um número reduzido de componentes. A integração do DAC, do pré-amplificador phono e do amplificador de auscultadores permite dispensar vários equipamentos externos, sem que estas secções sejam tratadas como meros complementos.


Com um preço aproximado de 5.899 euros, o amplificador destina-se ao segmento de gama alta. A potência disponível permite alimentar colunas adequadas de diferentes características, enquanto a apresentação sonora equilibrada poderá agradar particularmente a quem privilegia a naturalidade tímbrica, a definição e a reprodução de nuances musicais.



Especificações: Amplificador integrado híbrido com DAC e pré-amplificador phono incorporados | Entradas analógicas: 2 x RCA, 2 x XLR, 1 x phono (RCA) | Entradas digitais: 2 x coaxial, 2 x ótica, 1 x USB, 1 x AES/EBU | Saídas analógicas: 1 x RCA, 1 x XLR, auscultadores (6,3 mm) | Potência (8 / 4 Ω): 2 x 100 W / 2 x 150 W | Resposta de frequência (±0,5 dB a 5 W): 10 Hz a 35 kHz | THD (1 W a 1 kHz): < 0,008% | Relação sinal-ruído (20 Hz a 20 kHz): 90 dB | Pré-amplificador phono (MM/MC): 40 a 46 dB / 60 a 66 dB | Conversor D/A: 2 x ESS9038 (configuração dual-mono) | Válvulas: 2 x E88CC | Outros: Controlo remoto, ligações de disparo (12 V), bypass para cinema em casa | Acabamento: Preto ou prateado | Dimensões (L/A/P): 44/12/46 cm | Peso: 18 kg | Garantia: 2 anos | Disponível em Esotérico com preço: aprox. 5 899 €


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