A FiiO recupera a experiência de ouvir música em cassete com o CP13, um leitor portátil de construção metálica, funcionamento totalmente analógico e autonomia de 13 horas. Com um preço de 119,99 euros, o equipamento combina uma estética retro com carregamento USB-C, embora apresente algumas limitações na reprodução.
A FiiO, fabricante chinesa especializada em equipamentos de áudio, aposta no CP13 para recuperar o interesse pelos leitores de cassetes portáteis, numa altura em que os equipamentos originais das décadas de 1980 e 1990 continuam a despertar a atenção dos entusiastas da música. O novo modelo custa 119,99 euros e está disponível em quatro acabamentos, incluindo uma versão transparente.
Com um chassis totalmente em alumínio e dimensões determinadas pelo formato da cassete, o CP13 recupera os comandos físicos tradicionais para reprodução, paragem, avanço e retrocesso. O controlo de volume é feito através de um botão rotativo lateral, enquanto uma entrada USB-C permite recarregar a bateria integrada. Para ouvir música, o equipamento dispõe de uma saída de áudio de 3,5 mm.
A proposta distingue-se pela simplicidade. Ao contrário de muitos leitores de cassetes mais sofisticados do passado, o CP13 não permite gravar nem dispõe de inversão automática do sentido de reprodução. A FiiO optou por reduzir a complexidade do mecanismo, também devido às dificuldades em encontrar componentes para este tipo de equipamento.
Mecanismo totalmente analógico
Um dos principais argumentos do CP13 é a utilização de uma arquitetura de áudio inteiramente analógica, desde a leitura da fita magnética até à amplificação do sinal. O circuito recorre ao amplificador operacional JRC5532, associado à reprodução de um som suave e quente, frequentemente relacionado com fontes analógicas.
Para melhorar a estabilidade da reprodução, a FiiO instalou um volante de cobre de grandes dimensões, concebido para reduzir as variações de velocidade conhecidas como wow and flutter, que podem provocar oscilações na altura tonal e comprometer a qualidade sonora. A alimentação de alta tensão procura igualmente assegurar um funcionamento estável do motor, enquanto a bateria recarregável proporciona até 13 horas de autonomia.
Apesar destas soluções, o CP13 não inclui seletor para diferentes tipos de fita, nomeadamente as de alta polarização ou de metal, nem sistemas de redução de ruído Dolby. Estas ausências limitam a capacidade de adaptação a diferentes cassetes, sobretudo quando comparado com leitores de gama superior que marcaram o mercado nas décadas anteriores.
Qualidade sonora com diferenças face aos antigos Walkman
Na utilização prática, o desempenho do CP13 evidencia diferenças em relação a leitores clássicos como o nosso velho Sony Walkman DD33. A reprodução apresenta um perfil sonoro mais brilhante, com boa definição das frequências altas e uma sensação de profundidade que constitui um dos seus pontos fortes. Em contrapartida, os graves são ligeiramente menos expressivos do que os do antigo modelo da Sony.
A potência de saída é também mais limitada, sobretudo quando se utilizam auscultadores de elevada impedância ou baixa sensibilidade. O FiiO CP13 não inclui auscultadores, mas a marca disponibiliza modelos próprios, como os que surgem nas fotografias, por cerca de 20 euros. Com um design de inspiração vintage, oferecem uma sonoridade bastante atual e competente. Apesar das limitações de potência, o leitor consegue manter a distorção sob controlo, mesmo com auscultadores mais sensíveis, privilegiando uma reprodução limpa e equilibrada em detrimento de volumes particularmente elevados.
A estabilidade da leitura constitui, contudo, um dos aspetos que merecem maior atenção. A experiência de utilização revelou sensibilidade ao alinhamento da fita e à calibração da velocidade, com variações que podem comprometer a reprodução das frequências altas e tornar o som mais abafado. O comportamento parece depender também do tipo de cassete utilizado.
O CP13 dispõe de ajustes internos para a velocidade e para o azimute da cabeça de leitura, mas a necessidade de afinação pode representar uma dificuldade para utilizadores menos experientes. A fixação da fita no mecanismo é outro aspeto suscetível de melhoria, sobretudo para garantir uma reprodução mais consistente.
Uma alternativa aos leitores vintage
A recuperação dos leitores de cassetes representa uma oportunidade para os fabricantes que pretendem responder ao interesse renovado pelos formatos físicos de música. Neste contexto, o FiiO CP13 apresenta-se como uma alternativa aos Walkman antigos, cujos exemplares bem conservados ou recondicionados podem atingir preços elevados.
A construção em alumínio, a simplicidade dos comandos, o carregamento USB-C e a autonomia anunciada de 13 horas são argumentos favoráveis. Em contrapartida, a ausência de algumas funcionalidades tradicionais e a sensibilidade do mecanismo à calibração deixam margem para aperfeiçoamentos.
Disponível na José Lopes Marques, com um preço de 119,99 euros, o FiiO CP13 constitui uma proposta interessante para quem pretende recuperar as cassetes antigas sem depender exclusivamente de equipamentos com várias décadas. A melhoria da consistência da velocidade e do alinhamento da fita poderá ser determinante para tornar esta aposta analógica ainda mais convincente.








