Sony WF-1000XM6: mais do mesmo ou mais por menos?

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Sony WF-1000XM6


A Sony lançou os auriculares WF-1000XM6, sucessores dos XM5. A empresa diz que o novo modelo é uma evolução em relação ao anterior, mas será mesmo?, pergunta Pedro Tróia.*


A Sony gaba-se de que, com os WF-1000XM6, disponibiliza auriculares ‘true-wireless’ com a melhor tecnologia de cancelamento de ruído nessa classe de dispositivos e uma qualidade de som a condizer. Num mercado em que empresas tradicionais de áudio, como a Bose, investem muito em pesquisa e desenvolvimento, essa afirmação é muito ambiciosa. 

Vamos ver como os novos WF-1000XM6 se comparam com o modelo anterior, os WF-1000XM5. Esta comparação é mais empírica do que científica, até porque, neste caso, as características técnicas não são tão importantes do que como soam.


Os novos Sony WF-1000XM6


A caixa exterior dos WF-1000XM6 é exactamente igual à do modelo anterior, mas quando se abre, vê-se logo que se está perante um modelo completamente novo. Se compararmos o estojo dos 1000XM5 com o dos XM6, o mais recente é enorme. Em vez de manter o design antigo, que fazia lembrar um seixo, o novo parece uma caixa arredondada dos lados, mas com ângulos rectos ao longo da base e da tampa. O aumento de tamanho do estojo era inevitável e foi ditado pelo facto de os auriculares serem maiores que os XM5, mas penso que a utilização dos ângulos rectos foi uma decisão de design infeliz porque o torna o estojo mais desconfortável quando se mete no bolso. Já para não dizer que há mais hipótese de estragar o estojo acidentalmente.


WF-1000XM6


Ainda dentro da caixa exterior, encontramos mais três pares de ponteiras para adaptar os auscultadores o melhor possível ao diâmetro do canal auditivo, de forma a obter um bom isolamento do som exterior e conforto de utilização e também um cabo USB-C para carregar a bateria do estojo. Se quisermos, também podemos carregar a bateria do estojo sem fios através de indução.


Enquanto os XM5 passavam despercebidos enquanto se usavam, como já disse, os XM6 são muito maiores, por isso dão mais nas vistas. Mas dar nas vistas não foi a intenção da Sony quando os desenhou, a razão é que há mais espaço para ressonância e também há mais electrónica, uma antena Blutooth maior e mais sensores lá dentro. Outra razão para os XM6 terem crescido é evitar que o utilizador ouça o vento sem tanta necessidade de usar a funcionalidade de cancelamento de ruído que gasta bateria.

Por falar em sensores, os XM6 têm, cada um, quatro microfones que são usados para captar o som ambiente para ajustar a funcionalidade de cancelamento ativo de ruído. Estes microfones também servem para captar o som que vem da frente do utilizador quando os auscultadores estão a funcionar em modo de transparência. Neste modo, o som ambiente é deixado passar para ouvir avisos ou quando o utilizador necessita de falar com alguém, este modo pode ser activado automaticamente quando o utilizador fala ou com um toque num dos auriculares.


A Sony também deu uma atenção especial à qualidade das chamadas telefónicas com a aplicação de redução de ruído activa para eliminar o som ambiente quando se usam os XM6 quando falamos ao telefone.

Tal como nos XM5, os XM6 têm vários modos de cancelamento de ruído activo que são dinâmicos e podem ser ativados através dos movimentos do utilizador ou da sua localização detetada pela aplicação, que passa a informação aos auscultadores que depois usam Inteligência Artificial para ajustar o funcionamento automaticamente.

Tudo isto é possível graças ao chip dedicado ao processamento do cancelamento de ruído que é totalmente novo. Já o chip dedicado à conversão analógica/digital, Bluetooth e controlo é o mesmo que se encontra nos XM5.

O “Calcanhar de Aquiles”


Já aludi brevemente à aplicação da Sony, que serve para tirar o máximo partido das funcionalidades que os auscultadores oferecem. No entanto, devo dizer que esta aplicação já devia ter sido modernizada há muito tempo. Apesar de há anos a Sony ter mudado o nome e o ícone, a app em si é a original, só que com mais funcionalidades e com um look de 2015. É aqui que reside o problema, a app devia ter uma interface simples para quem quer apenas ouvir música e uma interface alternativa para quem gosta de configurar as funcionalidades.


Depois há as atualizações de firmware. Note-se que atualizar os auriculares é bom porque resolve erros e até pode acrescentar mais funcionalidades (o que é raro), mas no caso da Sony é um processo lento e penoso. A última que o fiz nos XM5 demorou mais de uma hora entre o download a partir dos servidores da Sony e o upload para os auscultadores através da ligação Bluetooth – e temos de ter os auscultadores fora do estojo, senão tudo para! A única coisa boa é que, se parar, o processo é retomado a partir do momento em que foi interrompido.


Uma das coisas mais estranhas que esta app obriga quem quiser usar o som a 360 graus, é tirar uma foto das orelhas… Em todas as apps dos outros fabricantes isto não é necessário. Enfim…


A qualidade do som


Mas vamos ao que interessa: a qualidade do som.

A primeira coisa que se nota é que o som dos XM6 é muito mais “encorpado” que o dos XM5. Os graves são muitíssimos mais poderosos e os agudos são mais nítidos. Enquanto nos XM5 é preciso ajustar o equalizador para realçar um pouco os graves, nos XM6 não toquei uma única vez no equalizador, o que foi uma estreia.

Usei os auriculares com duas aplicações de streaming de áudio: o Spotify, que agora oferece qualidade de som “original”, quer dizer CD, e o Qobuz, que oferece som de alta resolução com qualidade acima de CD. Embora a Qobuz tenha um som mais definido que o Spotify, nenhuns auriculares true wireless conseguem chegar à qualidade de uns bons auscultadores ligados com um cabo. Isto tem a ver com as limitações de largura de banda do Bluetooth que, por muito truques que usem, não permite passar toda a informação necessária que compõe o som de alta resolução, seja em qualidade CD ou superior. 

Por isso, tanto nos XM5 como nos XM6, o que temos é uma espécie de “upscaling” do som como se faz com as TV quando se consomem imagens a 1080p ou 720p num painel 4K. Dito isto, o algoritmo de upscaling da Sony é muito bom e consegue reproduzir muitas das nuances do som com alguma clareza.

O som do silêncio 


O cancelamento 
ativo de ruído é muito bom; durante o período de teste, fiz uma viagem de avião e levei os XM6 e, mesmo sem estarem a reproduzir qualquer música, o som dos reatores não passou de um murmúrio. O mesmo se passou com o “teste do aspirador”. Mesmo com o aspirador ligado, praticamente não se nota, principalmente quando se está a reproduzir música.

O som das chamadas é claro e o interlocutor do outro lado da linha consegue ouvir perfeitamente quando se fala, mesmo em ambientes com algum ruído ambiente.

A Sony diz que a bateria dura 8 horas (ou 24, se os carregarmos com o estojo). A verdade é que tive os XM6 cerca de uma semana na minha posse e só carreguei o estojo duas vezes, e os auriculares três vezes.


Ponto final


Apesar de achar que o estojo tem um design de que não gosto, naquilo que interessa os XM6 são uma boa evolução em relação aos XM5 – o som é substancialmente melhor e o cancelamento de ruído também é melhor. 


Agora, a Sony tem mesmo de fazer uma revisão total à app, porque ela não faz justiça ao hardware e cria entropias completamente desnecessárias a quem só quer ouvir música no autocarro no numa viagem de avião. 

Resta o preço: o PVP de referência destes XM6 é de 300 euros, o que representa uma redução face aos 320€ do XM5. Ou seja, o que a Sony nos propõe aqui é, efetivamente, mais por menos.

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* Pedro Tróia é jornalista e diretor da revista PC Guia

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